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GEC #5 Igualdade de Género Onde Começar?

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Autor: Emilia Azevedo – Portugal FMA GEC Representative

A igualdade é, em Portugal, um direito consagrado na Constituição Portuguesa, no entanto, e apesar de nos últimos anos termos vindo a assistir a uma evolução positiva, ainda estamos longe do razoável em termos de igualdade de género.

A remuneração das mulheres é em média 16,7% abaixo da dos homens, contudo, à medida que aumenta o nível de qualificação, maior é o diferencial salarial entre homens e mulheres, sendo particularmente evidente entre os quadros superiores. Neste nível de qualificação, o gap é de 26,4% na remuneração base.

Na realidade no mercado de trabalho assiste‑se à manutenção de um conservadorismo que se revela, entre outros aspetos, pela persistência de uma cultura organizacional que estrutura comportamentos e gera expectativas que reproduzem e reforçam as normas desiguais de género. Por exemplo, insistindo na ideia de que as mulheres são, em primeira instância, cuidadoras naturais e só depois trabalhadoras e profissionais, colocando‑as numa situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho. Isto é: as relações sociais que se estabelecem no mercado de trabalho contribuem para estruturar, produzir e reproduzir as expectativas normativas e estereótipos que são culturalmente atribuídos a mulheres e homens.

Dados recentes dizem que os homens afetam, ao trabalho remunerado, em média, mais 27 minutos por dia do que as mulheres, mas são as mulheres que continuam a dedicar mais tempo às tarefas domésticas e de cuidado. Em média, as mulheres trabalham, em casa, mais 1 hora e 45 minutos por dia do que os homens. No total do trabalho pago e não pago, as mulheres continuam a trabalhar mais 1 hora e 13 minutos por dia do que os homens.

A construção da identidade de género inicia‑se em idades precoces, sendo depois alimentada, realimentada ou reconfigurada ao longo da vida.

O “modelo familiar”, tradicional assenta numa construção social de papéis de género em função do sexo, conduzindo a uma conceção do masculino e do feminino diferenciada e hierarquizada em termos de importância, segundo a qual se atribuíam ao homem papéis e responsabilidades no domínio público, de sustento, e de orientação para resultados, de competitividade e força, e à mulher papéis no domínio privado, de cuidado da casa e da família, com base em características mais emocionais e relacionais.

A construção de uma sociedade igualitária tem de começar pelo princípio, em casa, com os nossos filhos, desde o primeiro dia.